quarta-feira, 12 de agosto de 2015

NOSSA SENHORA DA IMACULADA CONCEIÇÃO




Imaculada Conceição refere-se a um dogma através do qual a Igreja declarou que a concepção da Virgem Maria foi sem a mancha (mácula em latim) do pecado original. Desde o primeiro instante de sua existência, a Virgem Maria foi preservada do pecado pela graça de  Deus. Ela sempre foi cheia da graça divina. O dogma declara também que a vida da Virgem Maria transcorreu completamente livre de pecado.


Desde os tempos da Igreja primitiva, os fiéis sempre acreditaram que Maria, a Mãe de Jesus, nasceu sem o pecado original. Tanto no Oriente como no Ocidente, há grande devoção à Maria enquanto mãe de Jesus e Virgem sem Pecados. No começo do cristianismo o dogma da Imaculada Conceição já era tida como uma verdade de fé para os fiéis.

Bíblia e tradição

O dogma que declara a Imaculada Conceição da Virgem Maria é fundamentado na Bíblia: Maria recebeu uma saudação celestial do Anjo Gabriel quando este veio anunciar que ela seria a Mãe do Salvador. Nessa ocasião, oAnjo Gabriel saudou como cheia de graça.
Foi o papa Pio IX, o papa que proclamou o dogma da Imaculada Conceição, recorreu principalmente à afirmação de Gênesis (3, 15), onde Deus diz: Eu Porei inimizade entre ti e a mulher, entre sua descendência e a dela, assim, segundo esta profecia, seria necessário uma mulher sem pecado, para dar à luz o Cristo, que reconciliaria o homem com Deus.
O verso Tu és toda formosa, meu amor, não há mancha em ti, no Cântico dos Cânticos (4,7) também é uma referência para defender a Imaculada Conceição. Outras passagens bíblicas referentes são: Também farão uma arca de madeira incorruptível (Êxodo 25, 10-11). Pode o puro (Jesus) vir de um ser impuro? Jamais! (Jó 14, 4). Assim, fiz uma arca de madeira incorruptível...(Deuteronômio 10, 3). Maria é considerada a Arca da Nova Aliança (Apocalipse 11, 19) e, portanto, a Nova Arca seria igualmente incorruptível ou imaculada.
Também existem os escritos dos Padres da Igreja, como Irineu de Lyon e Ambrósio de Milão. São Tomás de Aquino, por volta de 1252, declarou abertamente que a Virgem foi, pela graça, imunizada contra o pecado original, defendendo claramente o dogma do privilégio mariano, que seria declarado e definido séculos mais tarde.

Definição do dogma de Imaculada Conceição

O dia da festa da Imaculada Conceição foi definido em 1476 pelo Papa Sisto IV. A existência da festa era um forte indício da crença da Igreja na Imaculada Conceição, mesmo antes da definição do dogma no século XIX.
No dia 8 de dezembro de 1854, dia da festa, o Papa Pio IX, com a Bula intitulada Deus Inefável (Ineffabilis Deus), definiu oficialmente o dogma da Santa e Imaculada Concepção de Maria.
Assim está escrito na bula (documento papal) intitulada Ineffabilis Deus que o Papa Pio X proclamou: Em honra da Trindade (...) declaramos a doutrina que afirma que a Virgem Maria, desde a sua concepção, pela graça de Deus todo poderoso, pelos merecimentos de Jesus Cristo, Salvador do homem, foi preservada imune da mancha do pecado original. Essa verdade foi-nos revelada por Deus e, portanto, deve ser solidamente crida pelos fiéis.

Maria confirma o dogma

Santa Bernadete Soubirous (1844-1879), a jovem que viu Nossa Senhora em Lourdes, disse que Nossa Senhora se auto definiu dizendo assim: Eu sou a Imaculada Conceição. Isso aconteceu em 1858, apenas quatro anos após a definição do dogma.
Todos os estudiosos consideram quase impossível que uma adolescente como era Bernadete, vivendo num lugarejo insignificante como era Lourdes, soubesse da proclamação do dogma e muito menos o seu significado. Por isso, as aparições de Nossa Senhora em Lourdes são consideradas como uma confirmação celstial do dogma da Imaculada conceição. Esta é uma das três aparições de Nossa Senhora consideradas verdadeiras pela Igreja Católica.

Imaculada Conceição, Mãe sem manchas

Por isso, nós podemos recorrer a Maria com toda a confiança justamente porque ela é Imaculada, sem mancha, sem pecado, sem impurezas. Ela é cheia, plena, repleta da graça de Deus e, por isso, pode ouvir nossos pedidos e súplicas e apresentá-los ao Pai, diante de quem ela está no céu. Nossa mãe celestial é pura, santa, sem pecado e nos ama com um amor puro, santo e divino. Assim, com esta confiança, recorramos a ela sempre, pois ela intercede por nós.

Oração a Imaculada Conceição

Virgem Santíssima, que fostes concebida sem o pecado original e por isto merecestes o título
de Nossa Senhora da Imaculada Conceição e por terdes evitado todos os outros pecados, o Anjo Gabriel vos saudou com as belas palavras: Ave Maria, cheia de graça; nós vos pedimos que nos alcanceis do vosso divino Filho o auxílio necessário para vencermos as tentações
e evitarmos os pecados e, já que vós chamamos de Mãe, atendei-nos com carinho maternal
e ajudai-nos a viver como dignos filhos vossos. Nossa Senhora da Imaculada Conceição, rogai por nós.

"Tota Pulchra es, Maria!" com tradução



                                                  




Tota Pulchra es, Maria!
Tota Pulchra es, Maria!






Toda sois formosa, o Maria!
Toda sois formosa, o Maria!
Et macula originalis non est in te!
Et macula originalis non est in te!
E a macula original não há em vós!
E a macula original não há em vós!
Tu, Gloria Ierusalem!
Vós sois, Glória de Jerusalém!
Tu, Laetitia Israel!
Vós, Alegria de Israel!
Tu, honorificentia populi nostril!
Vós, Honra do nosso povo!
Tu, advocata peccatorum!
Vós, Advogada dos pecadores!
O Maria!
O Maria!
Ó Maria!
Ó Maria!
Virgo Prudentissima,
Virgem Prudentíssima,
Mater Clementissima,
Mãe Clementíssima,
Ora pro nobis.
Rogai por nós.
Intercede pro nobis
Intercedei por nós
ad Dominum Iesum Christum!
a Nosso Senhor Jesus Cristo!


V. In Conceptione tua, Virgo, Immaculata fuisti.
V. Na vossa conceição, o virgem fostes imaculada
R. Ora pro nobis Patrem, cuius Filium peperisti.
R. Rogai por nós ao Pai, cujo Filho destes ao mundo.
Oremus. Deus, qui per immaculatam Virginis Conceptionem dignum Filio tuo habitaculum praeparasti, quaesumus, ut qui ex morte eiusdem Filii tui praevista eam ab omni labe praeservasti, nos quoque mundos eius intercessione ad te pervenire concedas. Per eumdem Christum Dominum nostrum.
Amen.
Oremos. Ó Deus que preparastes uma digna habitação para o vosso Filho, pela imaculada conceição da Virgem Maria, preservando-a de todo pecado, em previsão dos méritos de Cristo, concedei-nos chegar até vós purificados também de toda culpa, por sua maternal intercessão. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso.
Amém.



terça-feira, 11 de agosto de 2015

A Importância da Fé em Nossa Vida



A fé é a virtude que mais nos traz paz de espírito, pois é companheira inseparável da paciência e da aceitação, imprescindíveis para passarmos pelos sofrimentos e atribulações de nossa jornada terrena.  
É através da fé que aprendemos a bendizer a Deus por todas as bênçãos de que dispomos e, apoiados nela, é que nos fortalecemos para sairmos de situações, muitas vezes aflitivas, se não a tivermos guiando nossos passos.

Quando nos chegam os sofrimentos e as atribulações, se a fé estiver presente, aceitamos os problemas como provas necessárias a fim de que possamos atender dignamente aos desígnios de Deus. 
Mas a fé que professarmos necessita ser diligente, procurando apoiar-se na certeza, para nos impregnarmos de coragem e para que nos tornemos conscientes das tarefas a serem executadas e das provas pelas quais ainda passaremos. 
A fé cega, aquela apoiada apenas no afã ardoroso de tudo conseguirmos pela intercessão milagrosa, embora oriunda do respeito à Deus, precisa da ação.

Não devemos esperar que tudo nos caia de “graça”. Devemos ir à luta imbuídos de que venceremos, mesmo que, a princípio, nossas ações se mostrem fadadas ao fracasso. 

Não é pedirmos e nos fecharmos em nós mesmos, deixando a cargo de Deus a execução de tudo que sonhamos e queremos para nós. 
Muita gente, com persistência e confiança, consegue se impregnar de uma fé tão resistente, que ela realmente retorna em ações de benignidade àquele que dela não prescinde.  

Há pessoas que, ao enfrentarem problemas, respondem que sim, quando indagadas se já pediram forças e proteção a Deus. 
Dizem que entregaram a Deus e que ele faça como lhe aprouver, demonstrando com isso, muitas vezes, não a resignação, mas sim, um grande desalento.

Devemos e necessitamos – sempre - confiarmos na misericórdia divina, que sempre nos “acode” nos momentos críticos, mas precisamos fazer a nossa parte; e a nossa parte é procurarmos os meios de que dispomos ou que se nos apresentem, a fim de que solucionemos os problemas ou pelo menos possamos torná-los mais aceitáveis. 

Se estamos enfrentando problemas de saúde é através da procura de suas causas e do que podemos fazer para as debelar, que conseguiremos sanar a enfermidade, minorar-lhe as conseqüências ou pelo menos aceitar o inevitável, rogando ao criador as forças necessárias para atravessarmos a prova pela qual estamos passando.

A isso chamamos, realmente, de resignação; é a aceitação da prova sem que a ela nos entreguemos, sem deixar que ela nos tolha totalmente as ações, procurando levar nossa vida adiante, confiando que logo mais tudo passará, deixando-nos mais fortalecidos. 

Quando despertarmos para as realidades da vida e para o fato de que é através das dificuldades que somos impelidos à fé verdadeira, já que ela se fortalece justamente nas maiores aflições, nos impregnaremos de confiança sincera e veremos que os problemas, por maiores que nos pareçam, certamente serão solucionados; e, se a solução não é a mais propícia para nós naquele momento, pode mais tarde apresentar-se de outra forma, trazendo-nos a compreensão de sua finalidade em nossa vida.



Evitemos que o sofrimento extrapole a sua realidade, ou seja, não devemos achar que nossas dores são as mais difíceis de atravessar, sem olharmos ou mesmo nos interessarmos pelas do próximo, às vezes maiores ou mais exacerbadas que as nossas, e, no entanto, eles não reclamam tanto quanto nós. 

Aliás, a resignação daquele que sofre sem amargura e sem revolta é uma das razões, também, para nos fortalecermos na fé sincera, pois, existem criaturas atravessando problemas realmente cruciais em suas vidas. 

Servem-nos de modelo e de incentivo para que não nos revoltemos, dada a compreensão que possuem e, acima de tudo, a confiança que têm depositada em Deus e que após a turbulência alcançarão o estado de paz de que carecem suas almas.

É necessário que aprendamos a cultivá-la em nosso íntimo com o fim de exteriorizá-la através da resignação e da confiança de que podemos reverter uma situação que se nos apresente, momentaneamente, adversa. 

Para que a fé consiga brotar mesmo que só numa pequena semente, é preciso combater as forças negativas do desânimo, do pessimismo e da indiferença. 

Quando conseguirmos alterar, por menor que seja a transformação, no nosso campo íntimo, a fé viva começará a se desenvolver através do fortalecimento de nossa vontade, pois não mais estará sujeita aos estados de desânimo e de descrença que nos acometem quando nos sentimos fustigados pelas atribulações da vida.

As dores e os sofrimentos nos atingem mais duramente vez ou outra, mas há fases em nossa vida em que parece acontecer tudo de ruim ao mesmo tempo: as doenças, o desemprego, a traição de alguém querido, os desentendimentos familiares e muitas outras coisas que nos envolvem numa borrasca de sofrimentos infindáveis. 

Os problemas e as dificuldades, por maiores que nos pareçam, passarão, pois tudo em nossa vida é transitório, é aprendizado, é lição, para nos libertarmos de nossas imperfeições e nos fortalecermos em nossos propósitos do bem.

Quando nos propusermos, realmente, a desvendar os ”mistérios” da vida, a meditarmos no por que das aflições em nosso caminho, veremos que tudo na vida tem o seu sentido e que Deus, soberanamente justo e bom, sendo perfeito em todos os sentidos, não pode nos infligir os sofrimentos. 

Então, se os estamos enfrentando, devemos nos perguntar por que razão eles estão em nossa vida, qual o sentido de estarmos “sofrendo”, enquanto outras pessoas conseguem viver mais serenamente.

E como aquelas pessoas que atravessam realmente problemas sérios de toda ordem, se conduzem tão resignadamente e ainda nos dão exemplos de fé na bondade e misericórdia de Deus, enquanto nós nos revoltamos e achamos que somos os maiores sofredores do mundo e que as dores nunca nos abandonarão.

Meditemos nas palavras de Santo Agostinho : 

“Que remédio, pois, recomendar àqueles que estão atacados de males cruciantes? 

Um só é infalível: a fé, o olhar para o céu...É a fé o remédio certo do sofrimento; ela mostra sempre os horizontes do infinito, diante dos quais se apagam os poucos dias sombrios do presente...

Não nos pergunteis mais, pois, qual remédio é preciso empregar para curar tal úlcera ou tal chaga, tal tentação ou tal prova; recordai que aquele que crê é forte pelo remédio da fé, e que aquele que duvida um segundo da sua eficácia, é logo punido, porque experimenta no mesmo instante as pungentes angústias da aflição."
 
Mudemos a nossa atitude diante da vida. Aprendamos, através da busca e da indagação, o sentido daquilo que consideramos como sofrimento. A busca da compreensão poderá nos ensejar mais serenidade e resignação.

Paz e Luz a todos! 

fonte: Guilhermina Batista Cruz

ORAÇÃO PARA USAR O VÉU






Para que usemos os nossos véus com a disposição correta, segue abaixo uma oração linda, cujo autor preferiu o anonimato.
Divino Espírito Santo, hóspede da minha alma, convencida de que a  minha verdadeira vida está escondida com Cristo em Deus Pai, visto este véu na minha cabeça na esperança não de aparecer, mas de desaparecer, não para atrair a atenção sobre a minha pessoa mas, para esconder-me na imitação de Maria Santíssima.
Que todos olhem para Vós Deus Pai, Filho e Espírito Santo,
Amém.
(Um monge sacerdote)

VÉU UM SINAL VISÍVEL DE RECOLHIMENTO E DA GRAÇA DE DEUS




Alguns padres afirmam que usar o véu é uma atitude machista e sem sentido, outros falam que é algo ultrapassado. 

Perdoe-me a insolência ao confrontá-los... Mas os senhores, que certamente atendem a muitas confissões, conhecem a fraqueza humana. Também conheço em alguma medida, visto que sou terapeuta e professora. 

E é por conhecer essa fraqueza que entendo a importância de sinais concretos para o ser humano. Aliás, não é nisso que consistem os sacramentos? 

Sinais visíveis da Graça - invisível - de Deus? 

É claro que a pureza de uma mulher não está no exterior, no que ela veste. Mas seu modo de vestir bem pode ser um "lembrete" de como ela deve conduzir seu interior... 

Por que um batizando usa vestes brancas? 
Por que um sacerdote usa paramentos? 

Nos dias de hoje, em que se incentivam às mulheres comportarem-se como homens, sendo "lobas", deixando de lado a maternidade, priorizando o poder, fazendo-as crer que não estão se tornando objetos de prazer, na medida em que também elas podem fazer dos homens seus "bibelôs". 

Creio ser mais necessário do que nunca o retorno aos costumes que nos lembram quem somos e a que viemos, que nos ajudem a encontrar o recolhimento tão importante para o cultivo da vida espiritual. 

E senhores padres, o véu ajuda, sim, nesse recolhimento. Pelo simples fato de haver esse pequeno objeto que externa a situação de oração, deixando claro, para si é para os outros, que o momento não é propício para bate-papos ou paqueras. 

É um sinal visível do momento de recolhimento para Deus, para estar na presença dele, e somente com ele. 

Pensem nisso:

"EM UM MUNDO TÃO CHEIO DE DISTRAÇÕES UM MOMENTO DE RECOLHIMENTO PARA ESTAR NA PRESENÇA DE DEUS, SEPARADOS DO MUNDO POR UM VÉU."

O Uso do Véu na Igreja Ortodoxa



Igreja Ortodoxa, ou Oriental, como é chamada aqui no Ocidente, preservou tanto a doutrina como o rico ritual litúrgico elaborado durante os primeiros tempos do Cristianismo. Seria este um mero capricho, ou um excessivo apego a um formalismo ritual? Temos aqui exatamente duas posturas, duas visões diferentes do mundo e da própria Igreja, e portanto, do seu ritual. São praticamente duas atitudes básicas diante do Sagrado. Da compreensão deste problema vai depender exatamente a verificação que o ritual ortodoxo é cheio de sentido e significado, visto que o universo simbólico da Sagrada Liturgia é preservado em todos os seus detalhes e em todo o seu rico conteúdo espiritual.
Neste sentido, podemos afirmar que o véu tem necessariamente um sentido e dimensão que ultrapassam o uso cultural ou qualquer distinção discriminatória para com o sexo feminino.
Por que reduzir o mistério a simples categoria sociológica, histórica, sexual ou cultural Por que se adotam interpretações racionalistas e materialistas a uma dimensão que ultrapassa o tempo e o espaço? Ou o Sagrado está para além do concreto ou não existe? O Sagrado evidentemente se expressa e manifesta no mundo, mas está além dele! Aqui começa a distinção entre a recusa do véu, numa interpretação simplista e exterior ou a segunda opção apresentada pela Ortodoxia: viver o significado do véu dentro do universo do Rito Litúrgico, cujo sentido está evidentemente para além do uso do objeto "véu", fazendo deste um mero fim sem sentido.
O véu seria então um símbolo, portanto um sinal através do qual somos remetidos para um outro significado além dele; é um meio para ir a outra dimensão; chamemo-lo então: o sagrado. Por outro lado, o véu como elemento isolado não tem nenhum atributo especial ou mágico em si mesmo. Isto seria um erro grosseiro. Ele representa muito mais, é uma atitude, uma disposição, uma escolha.
Neste ponto se abre uma porta por onde podemos contemplar outra realidade, porque sendo uma atitude, isto significa escolha. Se há escolha, há liberdade, então é possível compreender. Aqui entram em jogo dois atributos dados especialmente ao homem: liberdade (de escolher) e inteligência (para compreender).
Tem importância para a mulher o uso do véu na Igreja durante a liturgia? A prática ortodoxa afirma que sim.
O jogo litúrgico vai depender da liberdade de ir até ele e além dele, como da participação por meio da compreensão. Aqui chegamos à questão principal. Tem importância para a mulher o uso do véu na Igreja durante a liturgia? A prática ortodoxa afirma que sim - como se dá e porque é importante. O primeiro ponto é que reconhecendo o véu como símbolo, não se pretende esgotar todos os seus significados, porque não tem apenas um significado, mas vários, muitos... Podemos aqui sugerir alguns:
1. Deus criou o Homem e a Mulher, macho e fêmea os criou!
Deus criando o mundo como uma coisa unida, integrada; dentro da criação, no entanto, há duas polaridades que vão realizar uma Unidade. O homem complemento da mulher e vice-versa, um precisa do outro. Como pode então um ser superior ao outro, se cada um precisa do outro? Na criação há outras dualidades: céu e terra, dia e noite, que correspondem também ao homem e à mulher numa relação integrada, harmônica. Portanto dentro da criação cósmica, cada polaridade tem seu lugar próprio, o equilíbrio do próprio Universo depende disso!...
Se a liturgia é uma celebração cósmica, esta vai conter os elementos que o próprio Deus estabeleceu e são chamados à Liturgia da maneira que Deus os criou: Homem e Mulher, cada um na plenitude do seu próprio sexo, porque cada um à sua maneira reflete a própria Unidade da Criação Esta distinção deverá ficar bem clara e estabelecida na Liturgia, onde cada um é chamado a assumir sua posição no mundo como homem ou mulher.
2. Criou o Céu e a Terra
Céu e Terra se complementam, o céu está em cima e a terra embaixo, o homem "cobre" a mulher; isto não significa superioridade de um sobre o outro, apenas lugares diferentes. Se a mulher vai representar a própria terra que é fecundada e coberta pelo céu, na Liturgia a mulher vai cobrir sua cabeça pois está diante de Deus, não diante dos homens!
3. A Virgem Maria
Na saudação do anjo Gabriel a Maria, para comunicar-lhe que seria a Mãe de Deus na terra, Deus escolhe uma mulher, claro! E aqui fica definido qual é a relação da humanidade, e especialmente da mulher, diante de Deus. O anjo lhe diz: "O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra". A mulher, portanto, diante de Deus, é receptiva e não passiva, posto que ela aceita, a vontade dela disse sim. "Faça-se em mim conforme sua palavra". O véu vai significar claramente a aceitação da palavra de Deus.
A mulher é naturalmente mais receptiva que o homem. Tem já o dom de gerar filhos; isto a torna co-partícipe na criação do mundo. Ela recebe o filho, isto não é nada passivo, muito pelo contrário. A mulher portanto é coberta por Deus, é um ser potencialmente mais "espiritual" que o homem.
4. A Virgem Maria e a Maternidade de Jesus
Uma mulher e não um homem é a pessoa que vai conhecer melhor o Cristo. Ela já o recebe no sim ao anjo! A partir disto Jesus vai crescendo dentro dela, é no seu interior que vai se desenvolvendo; ela então tem uma relação íntima, estreita como ninguém jamais a teve. O Espírito Santo a cobriu e ela concebeu; tudo se passou dentro dela, no maior mistério. Vemos sua barriga, sabemos que está grávida, mas não sabemos como é. É um mistério, está oculto - o mundo moderno quer descobrir tudo, nada escapa a isso, mesmo o Sagrado tem que ser exposto.


Na Liturgia Ortodoxa, o Santuário é separado dos fiéis e em dois momentos fecha suas portas aos olhos dos fiéis: na Proskomídia (Preparação das oferendas) que representa a vida oculta ou anterior de Cristo no mundo, e na Comunhão do Clero. O véu nas mulheres é a lembrança permanente dentro da Igreja daquilo que não vemos, que é mistério, está perto mas está encoberto por um véu.
5. O Véu do Santuário
O Santuário e sua porta representam a entrada (a Porta, o Cristo) ao Céu, que é coberto por um grande véu. Aqui na terra, portanto, um véu nos separa - do mistério da vida que está para além da porta que é o Cristo. Só o Espírito Santo nos faz enxergar para além do véu e do mistério; é necessária muita fé, a fé que a Virgem Maria nos ensina, a fé da mulher que espera um filho e vê nele um futuro distante.
A mulher representa a espiritualidade, ou seja, a receptividade a Deus para entrar com Cristo para além do véu e da porta do Santuário.
Portanto, o véu não é impedimento algum, mas confiança, fé e esperança de ir além dele para encontrar o Cristo. A mulher com véu vai representar a fé em algo que não vemos, está simplesmente encoberto!
6. Maria, a própria Igreja
Deus escolhendo Maria para Mãe de Cristo e Maria aceitando, se torna ela mesma o modelo de todos os cristãos, homens e mulheres. A Igreja é uma mulher, é o Corpo que recebe o Cristo. Encarnando aqui na terra Cristo se faz [carne]. Ele é concreto. Em Maria, a Mãe-Igreja, é que recebemos o Cristo, gerado pelo Espírito Santo. A Igreja santificada e pura vai conhecer o Cristo intimamente, de dentro. Isto só é possível pelo mistério, não pode ser explicado, analisado, apenas vivido de dentro, como uma Mulher-Mãe-Maria o vive.
Se Maria é a Igreja onde Cristo nasce, o Cristo é a cabeça da Igreja, dirigida espiritualmente por ele; é a mulher com a cabeça coberta, porque coberta por Cristo, vai nos ensinar a fazer todos a sua santa vontade.

O véu será submissão a Cristo, e não aos homens [...] Então a mulher aceita amorosamente se entregar a Cristo, aceitando que ele a cubra.

fonte:
http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/fe_crista_ortodoxa/o_uso_do_veu_na_igreja_ortodoxa.html

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O uso do véu como símbolo da identidade da mulher cristã





O uso do véu tem sido parte da tradição da Igreja desde sua instituição, e os santos Padres da Igreja tem defendido tal prática desde o começo [1]. Esta tradição foi perdida quando a exigência para a mulher cobrir sua cabeça (usar o véu) na igreja foi removida em 1983, quando foi promulgado o novo Código de Direito Canônico. Em resposta a esta perda, muito Tradicionalistas tem tentado revigorar esta prática pelo uso do véu novamente. Infelizmente, há uma tendência de praticar o costume mas sem entender por que ele existe em primeiro lugar. Práticas dentro da Igreja Católica não crescem sem uma razão ou argumento teológico por trás deles. A tradição do uso do véu tem sido vista também com má compreensão e desconfiança pelos não-Tradicionalistas, devido parecer desnecessário e antigo. Assim, este artigo é importante tanto por Tradicionalistas quanto para não-Tradicionalistas, afim de entender o significado teológico e o simbolismo por trás do costume da Igreja do uso do véu. A teologia do véu está enraizada na identidade da mulher e sua relação com o homem e Cristo e a simbólica imutável regra da mulher na criação.
            Essas explicações são primeiramente fruto de discussões com amigos e então estão abertas para um aperfeiçoamento. Meus argumentos serão provindos essencialmente da teologia ou aspecto simbólico. Assim, Eu não abordarei as razões pscicológicas ou sociais para o uso do véu, o qual é frequentemente tratado por outros escritores. Embora, explicações sociais e psicológicas tenha o seu valor, elas são de menos peso e importantes que aquelas baseadas na teologia.
            São João Crisóstomo desenvolve a teologia do véu de um modo belíssimo. Ele faz uma comparação entre a relação do homem e da mulher para Cristo e mulher. Mulher, por que ela foi criada sendo formada a partir do lado do homem, está constantemente tentando retornar para ele. Ela deseja a união original de uma só carne e um só osso. Isso é evidente em seu desejo pela intimidade e amor. Esta tendência de voltar para sua fonte é belamente expressada no ato conjugal, onde uma vez mais a mulher fisicamente torna-se uma com o homem, carne e ossos. O desejo da união entre homem e mulher é o reflexo da relação de Cristo e a alma. Cristo ama tanto o homem que não somente ele morreu na Cruz, mas Ele expressa Seu amor tornando-se fisicamente presente na Divina Eucaristia. Ele é o Divino Amor da alma,assim como a mulher anseia pela união com o homem nos relacionamentos humanos, a alma está constantemente atraída para unir-se com Deus. Ele a chama a tornar-se um com Ele: vindo sobre Seu lado e tornar-se carne de Sua carne e ossos de Seus ossos. Isso ocorre durante a comunhão com a Santíssima Eucaristia, o qual é a consumação da união entre Cristo e a alma. O ato de cobrir a cabeça com o véu simboliza a realidade de uma mulher protegida dentro do lado de sua Fonte e tornando-se um com Ele. Ela torna-se coberta e escondida no Divino Esposo de sua alma. O véu é um símbolo do relacionamento da alma da mulher e Cristo.
            Além disso, o véu representa a posição da mulher na hierarquia da ordem de Deus. O Homem é o protetor da mulher, enquanto a mulher é a protegida. Por causa de suas respectivas identidades, homens e mulheres mostram reverência ao seu Criador de diferentes modos. Para o homem, descobrir sua cabeça é um sinal de respeito e submissão a seu superior. Isso é exemplificado belamente na Missa Tradicional quando os padres entram vestindo o barrete e descobrem sua cabeça antes de iniciar o culto a Deus. Este respeito, pela hierarquia, é mostrado de forma diferente pelas mulheres. Ao invés das mulheres descobrirem sua cabeça, elas cobrem sua cabeça mostrando respeito e submissão a autoridade divina. Assim, usar o véu na Santa Missa representa a submissão da mulher a Deus e não ao homem. Ela reconhece a regra da criação de Deus.



            O véu também é fisicamente sinal da regra da mulher como tabernáculo. O tabernáculo contém Cristo, a Verdadeira Vida, dentro dele. De forma similar, a mulher foi criada com o privilégio de ser um reservatório da vida, literalmente capaz de carregar vida dentro dela. Deste modo, ela é um tipo de tabernáculo da vida. O Sacratíssimo Tabernáculo é sagrado pois contém a vida nele mesmo, e também, a mulher é sagrada por que ela protege a vida dentro dela. O Sacratíssimo Tabernáculo é tão santo que ele é coberto com um véu para preservar sua pureza e santidade. As mulheres usam o véu para cobrir sua sacralidade como templo da vida. Este uso do véu no Tabernáculo e na mulher é também um lembrete visível aos fiéis de que estes reservatórios tem um papel especial na criação. As mulheres, então, como o Tabernáculo, deveriam estar fisicamente veladas (usando o véu).
            Finalmente, o véu simboliza como o “jardim secreto” (Cântico dos Cânticos 4, 12) cujo frutos estão reservados a Deus. O Cântico dos Cânticos usa este analogia quando fala da relação de Cristo e a alma. O Divino Amor diz a sua amada, “És um jardim fechado, minha irmã, minha noiva, uma nascente fechada, um fonte selada”; e a amada responde, “Entre meu amado no seu jardim, prove-lhe os frutos deliciosos.” (Ct 4:12, 16) A alma da mulher é um jardim, no qual quando cultivado produz muitos frutos. Mas, é também um jardim secreto por que ela o abre somente para Deus, particularmente na união com a Divina Eucaristia. Ele é seu presente especial a Deus. O véu, então, simboliza este protegido, secreto jardim, o qual é preservado e guardado para o Divino Amor. Ele (o véu) é fisicamente um sinal que Deus está formalmente sendo procurado e adorado. Ele simboliza a preservação de si mesmo por uma auto-doação total ao outro. [2]
            O costume, então, da mulher cobrir a sua cabeça não é sem significado e antigo, mas tem um significado teológico e importante para a era moderna. Pelo uso do véu, as mulheres reconhecem sua submissão a Cristo, seu esposo, o sacrifício de sua glória, e adoração e humildade diante de Deus. Embora não seja pecado permanecer sem cobrir a cabeça, o véu tem um maravilhoso significado que é um louvável e importante modo de dar glória a Deus.


[1] Tradição aqui não significa um ensinamento infalível de Cristo herdado através dos Apóstolos. O termo usado aqui é um costume, no qual tem sido parte da Igreja por muitos anos, e embora ele não seja infalível, este tipo de tradição é honrada pela Igreja e dada seu devido respeito.


[2] Esta é a principal razão pelo qual os religiosas usam permanentemente o véu, pois elas são prometidas esposas de Deus, e eles preservam o jardim de sua alma para Ele somente, de um modo único.

fonte: http://cmmnamodestia.blogspot.com.br/2012/04/parte-i-o-uso-do-veu-como-simbolo-da.html